quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Quando eu crescer quero ser...



Com a proximidade da minha formatura e o desespero de ter escolhido ser jornalista (profissão mal remunerada e que não exige diploma,) reavaliei alguns tipos de trabalhos que eu sempre desprezei, mas hoje em dia morro de inveja de quem os exerce. Lá vai a lista de profissões  que eu gostaria de marcar o “X” nas fichas cadastrais:

Dona de casa
Descrição da atividade: Arrumar a casa, organizar a lista de compras no mercado, analisar as ofertas da rede super, cozinhar, decorar os ambientes e esperar o marido com janta e cara de feliz.

Principal Vantagem em relação ao jornalismo: Você nunca será tirado de casa às pressas para fazer teu trabalho.

Ambições profissionais: Que a casa seja própria, que tenha quatro quartos, três banheiros, quintal com horta e a cozinha seja 40% do tamanho da casa.

Pretensão salarial: Panelas Tramontina anualmente.

Teoria essencial: Nunca se deve misturar roupas brancas com roupas de coloridas.

Gostosa
Descrição da atividade: Malhar diariamente, comer somente coisas saudáveis, nunca andar desalinhada, manter a bunda dura, ter peitos apontando para frente, jamais ter barriga e adjacências e nem por decreto ser portadora de celulite.

Principal Vantagem em relação ao jornalismo: Não precisar o cérebro para ganhar dinheiro e saber que nunca vai escutar a frase: “eu esperava mais de você”.

Ambições perante o cargo: Poder malhar em uma academia VIP e ter o mesmo personal da Luma de Oliveira.

Pretensão salarial: Quanto a playboy está pagando mesmo?

Teoria essencial: Se conteúdo fosse tão importante as embalagens seriam todas iguais.

Esposa Gostosa

Descrição da atividade: Primeiro passo para o andamento das atividades é casar com jogador de futebol. Malhar, gastar a grana do marido, fazer pequenas incisões cirúrgicas, ir ao salão, ser presidente do Lions, fotografar para as sociais e gastar mais dinheiro do esposo.

Principal Vantagem em relação ao jornalismo: Abrir o jornal direto no segundo caderno e ter a certeza que se teu nome estiver ali dentro, não foi porque você estudou durante quatro anos (ou mais).

Ambições perante o cargo: Ser capa da Caras.

Pretensão salarial: Agregar o maior número de pensões possíveis ao longo da carreira.

Teoria essencial: As feias que desculpem, mas eu me mijo de rir da cara delas.



Vendedor de coco na Bahia

Descrição da atividade: Abrir coco, colocar o canudo e tentar fazer o cálculo do troco.

Principal Vantagem em relação ao jornalismo: Saber que se ganha tão mal quanto, mas não precisou estudar e ainda mora na praia.

Ambições perante o cargo: Que o coco se abra sozinho e o canudo pule para dentro dele.

Pretensão salarial: O necessário para não precisar procurar emprego em uma redação.

Teoria essencial: Catar coco no asfalto pode ser perigoso e atrapalha o fluxo de veículos.

Político de âmbito nacional

Descrição da atividade: Lícitas?

Principal Vantagem em relação ao jornalismo: Eu não preciso nem responder essa.

Ambições perante o cargo: Seguir os passo do Pedro Simon e passar a vida toda mamando nas tetas da mãe pátria.

Pretensão salarial: Se der para aumentar anualmente seria bom né, sabe como é, o pão de cada dia é brioche e o queijo brie está pela hora da morte.

Teoria essencial: Tratar o povo como se ele fosse gente.


Apresentadora de programa popular na TV aberta

Descrição da atividade: Fingir que se importa com o problema dos outros, dramatizar fatos patéticos, não ter raiva de gente burra e se comportar como uma imbecil diante das câmeras.

Principal Vantagem em relação ao jornalismo: Ter a certeza que nunca vai perder a vaga para uma modelo, porque elas não se enquadram neste formato de programa.

Ambições perante o cargo: Poder usar mini saia até os 92 anos.

Pretensão salarial: O mínimo pago pela emissora.

Teoria essencial: Manipular gente burra não tem graça, mas ver eles expondo a vida deles é muito divertido.



Jogador de futebol

Descrição da atividade: Jogar futebol

Principal Vantagem em relação ao jornalismo: Jogar futebol

Ambições perante o cargo: Jogar futebol fora do Brasil.

Pretensão salarial: 1000.000.00000.00000.000000.00000.000000.00000.0000.00

Teoria essencial: O sol nasce para todos, mas só se põe dentro do mar para quem tem cobertura nas Ilhas Maldivas.


Mas enquanto estas oportunidades não surgem...” a gente vai levando, a gente vai levando”.

sábado, 17 de outubro de 2009

Meu amor de sempre



 



Não é segredo para ninguém que eu sou uma mulher apaixonada. Mas o que ninguém sabe é que amo o mesmo moço há 13 anos. O nome dele é João Paulo. Nasceu no dia 17 de outubro de 1996 de dentro da barriga da minha irmã. Quando ele chegou lá em casa, com pouquíssimos dias de vida, eu o achei muito feio. Fiquei com pena da mana e do meu cunhado. Eu acho que ele notou essa minha desaprovação estética e como vingança passou um mês chorando todas as madrugadas dentro da minha casa. Mas convenhamos, ele era todo vermelho, com olhos amarelos e a clássica cara de joelho, não tinha dizer: “ Ai que amor.”

Depois foi a minha vez de ir para casa dele. Fui lá cuidar o rebento, já que minha irmã tinha que voltar ao trabalho. Quando chego a Pelotas, dou de cara com um puta nenezão coisa mais linda: Obrigada senhor, vos sabes o quanto eu não gosto de gente feia e não me castigou com um sobrinho tinhoso. O guri estava lindo que parecia de capa de revista. Então ficávamos eu e ele, juntinhos durante toda tarde. Nossa principal brincadeira era a baba voadora: a ação consistia em colocar o pequeno afilhado nos joelhos e imitar um avião. Devido à falta de dentes e o riso incontrolável, JP fica de boca aberta babando em mim. Lindo! Alias tudo era lindo: soltava um pum, lindo. Arrotava, lindo. Coco no ponto, lindo. Mijar na cara da avó, lindo também.

E o meu piá foi crescendo. Meio Édipo, mais foi. Apaixonado, passionalmente, pela mãe, aos três anos a tarefa de cuidar dele era coisa para profissional. O guri virava em goela toda vez que a mãe dele saia para trabalhar. Para o leitor ter uma noção de tempo ele começa a berrar na hora do Jornal Hoje e só parava no final do Vale a pena ver de novo. E eu fazia de tudo para acalmar o macro baby: dançava, rolava do chão, dava colo, picolé (que ele pedia para assoprar porque estava saindo fumaça)...Enfim, tudo, mas ele só parava quando cansava.

Aprendeu a andar, bater no gato (eu não tenho nada a ver com isso), cantar, fazer carinhas engraçadas e olhar filme. Entre os preferidos do moreno bocudo o que mais se destacava era o desenho do Hercules, assistido 6478229172 vezes por dia.  Passeios de bike, sanduíche com pepino e MUITO catchup, idas à Baronesa, porradaria no Mortal Combate, idas ao laranjal e leitinho com Nescau. Tudo isso me faz lembrar o João.

O JP sabe, e eu sempre vou dizer, que ele e a gorda são as coisas mais lindas da minha vida. Não sei nem explicar o amor que eu sinto por eles, é acima de tudo e de qualquer coisa. É puro e inabalável. Tenho muito orgulho de ver esse guri crescendo amigos de seus amigos, gatinho das guriazinhas, neto querido, sobrinho parceiro, brincalhão, humilde, educado, generoso, paciente( como o pai) e gato, muito gato: moreno, que vai ser alto, bonito e sensual, talvez seja os motivos dos meus problemas, já sou uma tia mega psicopata e morro de ciúmes dele.

Enfim, de todos os presentes que a minha irmã me deu (e olha que não foram poucos) sem duvida o filhotinho de tatu é o melhor. Ela me deu meu primeiro filho e ainda criou e sustentou-o pra mim. Eu sempre digo que o João nasceu educado, por que ele sempre foi um cavalheiro e isso não foi minha irmã que ensinou (e muito menos eu).  Te amo pequeno, mais que tudo, além de tudo e para todo sempre.



sexta-feira, 26 de junho de 2009

Termo de amizade


Entrando na onda da propaganda enganosa e lutando pelos meus direitos de paz de espírito resolvi fazer um termo de amizade. Exatamente. Um documento que será impresso e repassados aos meus futuros amigos para que eles assinem, ou não, esta folhinha onde estará explicito todos os meus defeitos como possível amiga. O termo servirá para futuras reclamações serem censuradas logo no início. Quando eu receber aquela ligação ou email de alguém possesso com minha conduta a resposta será imediata e automática: Assinou, te fode.

Bom, vamos lá.

1)Me chamo Rita Barchet, tem mais uns nomes do meio mas não gosto de assinar nenhum. Tenho 29 anos, mas normalmente respondo que tenho 27 porque ando com problemas para acompanhar tantos aniversários. Insisto em me comportar como se tivesse 19, mas penso muitas vezes como se tivesse 55 e outras vezes apresento condicionamento físico de 85. Este último faz com que eu não queria sair do meu adorável quarto para tomar mate, cerveja, conversar sobre o tempo ou qualquer outra movimentação que me faça levantar. Porém irão existir dias que eu farei este imenso sacrifício (alguns maiores ainda), outros que convidarei para ir lá para casa e outros que eu vou fazer que nem vi o convite.

2) É importante ter sempre em mente que a minha vida é mais importante que a do suposto amigo, na minha própria vida. Explicando melhor: Quando eu tiver um problema, por menor que pareça, para mim ele é gigante. E eu vou fazer o possível para resolvê-lo. Isso pode abranger a ação de isolamento absoluto para concentração de energias para resolver O MEU PROBLEMA.

3) Existe uma fórmula matemática que calcula a distância da minha casa para a do talvez amigo, e outro calculo da casa do talvez amigo para minha casa. Agora senta: ela é a mesma. Magnífico não...Esse pessoal da NASA faz cada coisa hoje em dia que eu me apavoro, é muita tecnologia. Então ao invés de ficar me cobrando visitas lembre que a distância e a preguiça dos corpos é a mesmas.

4) Aparentemente sou uma pessoa muito legal e divertida, mas isso pode alterar de um dia para outro, assim como todos os outros seres humanos. Oscilações de humor são normais até um mim! Se eu não tenho ligado e não mostro os dentes nem para um pedaço de bife é porque quero ficar sozinha. Neste caso o provável amigo não deve ligar dizendo: “Mas que ranço hein, ta louco não dá pra te agüentar”, já que eu não procurei “aguentamento” algum da tua parte.

5) Sou heterossexual, desprovida de qualquer tipo de preconceito neste aspecto – e em muitos outros, pois sou adepta da teoria chinelística, baseada no estudo sobre os cús. Ao concluir a pesquisa os estudiosos chegaram a seguinte definição: se cada um nasceu com um cú, cada um sabe o que faz do seu. Incrível!
Gosto muito de rapazes, mas atualmente gosto de um em específico que é meu namorado. Caso você, candidato a amigo não goste dele, eu parto da premissa que isso pouco me importa, então me solta que não sou arroto pra ti ficar me trancando.

6) Sou boa ouvinte. Mas se passar de 3 meses falando do mesmo assunto ou vou começar a desaparecer, ou mandar tua família te internar...tem idade para tudo.

7) Acompanha comigo: Eu não mantenho contato com o aspirante a amigo por uma semana, assim como ele também não me procura mesmo ínterim. Assinale a alternativa correta com a frase que deve ser proferida quando VOCÊ me enxergar na rua:
a) Aie achei que tinha morrido, sumiu hein.

b) Ta de cara comigo? Nunca mais me ligou, nem no MSN me chama mais...(com cara de diarréia)

c) Oi sumidaaaaaaaaaaaa. Eu tava comentando com a fulana, a Rita deve estar de romance que não aparece mais.

d) Oi. (bem seco pra eu aprender a não dar atenção aos meus amigos novos)

E) Oi guriaaaaaaa, que saudade. Me conta as novis.

8) A frase “bah eu não to com vontade” quer dizer bah eu não to com vontade.

9) Não. Ah o Não Que palavrinha maravilhosa. Aprendi a usar faz pouco tempo, como todo ser deslumbrado às vezes abuso dela, favor avisar-me.

10) Costumo marcar encontros e tomar outros rumos. Péssimo, pode xingar sempre, porém apenas depois de escutar a explicação (é fácil de descobrir quando eu to mentindo).

11) Sou extremamente, amplamente e descontroladamente neurótica. Muitas vezes você poderá sentir medo, mas não sou agressiva.

12) Sou egoísta, e tenho um prazer absoluto em admitir isso.

13) Faço jornalismo e gosto muito de falar sobre o assunto. Se você faz outro curso muitas vezes vai ficar entediado com meu papo, assim como eu vou ficar com o seu sobre como tosquiar uma ovelha (em caso do amigo ser veterinário). Então vamos ser pacientes.

14) Última cláusula. Eu amo muito os meus amigos do fundo do meu coração. Mas infelizmente tenho muitos amigos. Teria gente que invejaria isso, mas nos últimos tempos isso para mim é um carma. Amigas de infância, amigas de adolescência, amigas de início de velhice, colegas de faculdade, colegas de trabalho, ex-colegas de trabalho, amigos dos meus amigos, primos, tios, irmãos, pai, mãe, namorado, mães de amigos, ...enfim é muita gente. Todas elas gostam muito de mim e isso me deixa muito feliz, energia boa e torcida a favor são sempre bem vindas. Porém todas elas me cobram presença física, telefonemas, emails, sorrisos, abraços, ouvidos, e outra infinidade de coisas. Se eu fosse fazer um roteiro de quem eu TENHO (porque é tanta cobrança e constrangimento já passou a ser uma obrigação) teria que tirar mais de uma semana e ir à casa de cada um. Agora só um pouquinho quem vai à minha casa? Quem me liga com freqüência? Hummm, pois é.
Com dizem, leia antes de assinar. Pense bem no assunto, porque escrevi um parágrafo com letras invisíveis que se o contrato for rompido te dou-lhe um manotaço.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Não coloque seu cão no lixo


Eu tentei. Por mais de uma vez eu tentei. Mas não consigo gostar de gatos. Já simulei total simpatia pelo bichano, mas por dentro eu pensava: não rola. Eu gosto mesmo é de cachorro. Só tive um cachorro à vida inteira, o Benji. Todas as crianças nascidas na década de 80 tiveram um benji. Maldita sessão da tarde. O meu Benji era o cão mais esperto do mundo. Mas esperto mesmo. Ele ia comigo todos os dias para aula, mas não entrava. Todo Domingo ele seguia nossa família até a igreja, mas também não entrava. O Benji era hippie. Meu cusco era o símbolo da liberdade. Só vinha para casa nos horários das refeições, atravessava a cidade sem coleira, não tomava banho, um desbravador de pátios alheios. Hábitos caninos permitidos em cidades absurdamente pequenas. Mas em uma dessas manhãs estranhas, que sol nasce meio estranho, o programa da Xuxa estava meio estranho e meu achocolatado frio eu senti que algo de errado estava acontecendo. E realmente aconteceu. O Benji havia ido embora e nunca mais voltou. O trabalho de busca foi intenso. Mas a força tarefa da gurizada lá da rua não foi o suficiente para recuperar my dog. Como toda boa criança depois de dias de choro e manha eu esqueci dele. Mas nunca mais quis ter outro cachorrinho. Anos mais tarde veio a verdade. Minha tia faz um mea culpa e confessou que ela deu o benji para o cara da carroça. Conhecido vulgarmente com leiteiro. Que traição, deram o meu cachorro como se ele fosse um objeto qualquer. Até hoje lembro com dor deste fato, sempre fiquei imaginando o que o cara da carroça fez com ele. Será que ele virou sabão? Ou salame? Talvez vendedor ambulante em algum centro urbano? Sei lá, mas nunca perdoei minha tia por isso. Também nunca consegui entender o motivo para dar aquele rico bicho, ele não fazia nada. Nada mesmo. Não latia, não defendia a casa, não avançava em ninguém, mordeu minha mão uma vez, mas nem doeu. O que deixa pasma ainda hoje é ouvir diariamente nas rádios que muitos cidadãos intelectualizados fazem pior que a minha tia. Pegam seus cães e os abandonam nas faixas ou em regiões rurais, bem longe de casa para que nunca mais voltem. Pessoal, animais também sofrem e como sofrem. Antes de adotar um bichinho é preciso ter certeza do bônus e do ônus, não vale descartar depois como se fosse um sapato velho. Cada vez que eu vejo um cachorro sozinho na rua, com aquela cara de fome, ostracismo e melancolia eu sempre penso: não se faz isso nem com gato.